Tipos de Câncer

Câncer de Pele

Câncer de pele é o mais comum de todos os cânceres humanos. No Brasil a estimativa é maior para câncer de pele não melanoma.

A maioria destes casos é o carcinoma de células basais (CBC) e o carcinoma de células escamosas (CEC) vem em segundo lugar entre os cânceres de pele.

O melanoma maligno tem um número menor mas importante nos cânceres de pele. Melanoma maligno é uma forma altamente agressiva que pode ser fatal se não tratado cedo. Recentes estudos demonstram que o número de casos de câncer de pele no Brasil está crescendo a uma taxa alarmante. Felizmente, consciência aumentada por parte da população e entre os médicos, resultaram em diagnóstico mais cedo e melhores resultados com menor morbimortalidade.

Causas

Exposição aos raios ultravioleta da luz solar é a maior causa de câncer de pele.

Outras causas importantes de câncer de pele incluem o seguinte:

- Câmaras de bronzeamento

- Imunossupressão (quando o sistema que protege o corpo de substâncias estranhas, como germes ou agentes que causam uma reação alérgica, está inibido)

- Exposição níveis altos de radiação ionizante (RX, RXT)

- Contato com certas substâncias químicas (os mineiros que são expostos ao arsênio; exposição a hidrocarbonetos como piche, óleos, e fuligem podem elevar as taxas de carcinoma de células de escamosas)

Quem são as pessoas de maior risco?

Pessoas com pele clara, cabelo claro e olhos azuis

Certas desordens genéticas (alguns exemplos são as pessoas que têm baixos níveis de pigmento de pele com albinismo e xeroderma pigmentoso)

Pessoas que já foram tratadas para câncer de pele

Pessoas com numerosas verrugas, verrugas grandes que estavam presente desde nascimento

Pessoas com familiares próximos que desenvolveram melanoma

Sinais e Sintomas

Carcinoma Basocelular (CBC): Normalmente se observa uma lesão nodular, bem circunscrita, translúcida, lisa, perolada, às vezes pigmentada (cor escurecida) na pele exposta ao sol da cabeça, pescoço ou ombros. Vasos sangüíneos pequenos podem ser visíveis dentro do tumor (teleangectasias). Pode formar uma depressão central com crosta que sangra facilmente. Freqüentemente confundido com uma ferida que não cura.

Carcinoma de Células Escamosas (CEC): Geralmente é uma ferida bem definida, tipo placa ou nódulo, com variados graus de crosta e coloração avermelhada, em pele exposta ao sol. Semelhante ao CBC, podem ocorrer ulceração e hemorragia. Quando não tratado o CEC como CBC podem desenvolver em uma grande massa tumoral.

Melanoma: A maioria dos melanomas maligno são lesões pigmentadas variando do marrom para preto. Sinais de atenção incluem mudança em tamanho, forma, cor ou elevação verrucosa. O aparecimento de elevação verrucosa durante maioridade, dor, coceira, ulceração ou sangramento devem ser conferidos.

Um fácil lembrete constitui no "ABCD" do melanoma, que é útil para identificar melanoma maligno:

  • A - Assimetria: Um lado completamente diferente do outro
  • B - Borda irregular: Podem ser margens entalhadas ou irregulares
  • C - Cor: Freqüentemente uma mistura de preto, bronzeado, marrom, azulada, vermelho ou branco
  • D - Diâmetro: Normalmente maior que 6 mm (maior que o tamanho de uma borracha de um lápis) e qualquer mudança em tamanho.

Quando Procurar o Médico

Faça uma consulta com seu médico ou um especialista de pele (o dermatologista) para avaliar qualquer verruga ou mancha suspeita em sua pele caso você notar qualquer mudança no tamanho, forma, cor, ou textura de áreas pigmentadas (áreas mais escuras de pele ou verrugas).

Diagnóstico

O médico examinará qualquer lesão em questão e, em muitos casos, a superfície de pele inteira. Lesões que são difíceis de identificar ou são suspeitas de ser câncer de pele, realiza-se então uma biópsia de pele com anestesia local e uma amostra será levada para o patologista examinar em um microscópio.

Tratamento

Remoção cirúrgica é o esteio de terapia para CBC e CEC.

Podem ser removidos tumores pequenos por uma variedade de técnicas que incluem excisão simples (retirada cirúrgica), eletro dissecção e curetagem (queimando o tecido com uma agulha elétrica), e criocirurgia (congelando a área com nitrogênio líquido).

Tumores maiores, lesões em locais de alto risco, tumores recidivados, e lesões em áreas esteticamente sensíveis são retiradas através de cirurgia com seguintes objetivos:

- Retirada da lesão com margens oncológicas

- Preservação do tecido sadio

- Preservação da função

- Melhor resultado estético (retalhos, enxertos livre ou micro-cirúrgico)

- As pessoas que são candidatos a cirurgia e não operáveis (sem condição de suportar uma cirurgia) podem ser tratadas através de terapia de radiação externa (Radioterapia).

- Melanoma maligno é tratado mais agressivamente. Necessita de melhor abordagem assim como diagnóstico e tratamento.

Prognóstico

Embora o número de cânceres de pele no Brasil continue subindo, a população está procurando mais precocemente atendimento médico por lesões de pele. Desta maneira o tratamento torna-se mais fácil e o índice de mortalidade por câncer de pele tem diminuído.

Quando tratado corretamente, a taxa de cura para CBC e CEC chega a 99%. Menos de 1% dos CEC esparramará (metástases) eventualmente em outro lugar no corpo, principalmente em linfonodos.

O resultado de melanoma maligno depende em a maioria dos casos da espessura do tumor e estadiamento. Lesões precoces e finas quase sempre são curadas só através de cirurgia simples. Lesões mais grossas (critério de Breslow) podem dar metástases para outros órgãos e piorar a sobrevida.

Prevenção

- Exposição solar limitada. Tente evitar os intensos raios do sol entre 10 até 16hs.

- Aplique protetores solares com fator de proteção de solar (FPS) pelo menos 15 minutos antes exposição de sol.

- Se você queima facilmente ao sol de sol, use mangas longas e um chapéu de aba larga.

- Evite câmaras de bronzeamento artificial.

- Faça auto-exames periódicos. Com ajuda de espelhos e familiares, o auto-exame mensal lhe ajudará a reconhecer qualquer área de lesão nova ou variável.

Câncer de Cabeça e Pescoço

O termo câncer de cabeça e pescoço envolve uma gama extensiva de tumores que acontecem em várias áreas da cabeça e da região do pescoço desde lábios, fossas nasais, seios paranasais, boca, garganta, laringe (caixa da voz), faringe, nódulos linfáticos, glândulas salivares e a glândula tiróide.

Cânceres que se desenvolvem no couro cabeludo, pele da face ou pescoço também podem ser considerados cânceres de cabeça e de pescoço. Os tumores ocorrem em múltiplas regiões e sub-regiões anatômicas (aproximadamente 35) e cada uma com sua história natural.

Requer tratamento multidisciplinar e multimodal. Em muitos países os pacientes chegam com doença avançada em aproximadamente 65% dos casos.

Epidemiologia

  • Existe muita diferença entre os fatores causais nos diversos países, devido às diferenças e costumes sociais:
  • Em nosso meio está em 5º lugar na incidência em homens e em 7º lugar entre as mulheres.
  • Atinge mais em homens que em mulheres (3:1).
  • Idade acima de 50 anos tem maior incidência.
  • Tabagismo e alcoolismo associados podem aumentar em 15 vezes ao chance de desenvolver um tumor de boca ou laringe.
  • O HPV é frequentemente identificado nos carcinomas de boca e amígdala.
  • Existem outros fatores associados no desenvolvimento dos tumores de cabeça e pescoço que incluem: sífilis (câncer de língua), exposição ao sol (câncer de lábio inferior), exposição ao níquel (câncer de cavidade nasal e seios paranasais), trabalho com madeira (câncer de seio maxilar), deficiência crônica de ferro (tumores de esôfago superior), ingesta baixa de frutas e verduras e radiação ionizante (tumores de glândula salivar e tireóide).

Rastreamento

Deve ser realizado principalmente nas pessoas que fumam e utilizam álcool há mais de 40 anos e que apresentem sintomas de cabeça e pescoço que perdurem por mais de 4 semanas, devem ser cuidadosamente investigados.

As alterações pré-malígnas na boca são:

  • Leucoplasias: consiste em placa esbranquiçada e está associado a incidência de 5-10% de câncer e 50% se a lesão for na língua.
  • Eritroplasias: consiste em lesão avermelhada de aspecto aveludado e apresenta uma incidência de 80-90% de displasia severa ou carcinoma in situ.
  • Feridas ulceradas na boca.

Outros sintomas

  • Rouquidão persistente.
  • Caroço no pescoço que seja maior que 2cm ou tenha aparecido há mais de 2 meses.
  • Dor no ouvido e ou congestão nasal persistente.
  • Dor ou dificuldade para engolir e emagrecimento.

Apresentando alguma destas sintomatologia um médico especialista em cancerologia, cabeça e pescoço ou otorrinolaringologista deve ser consultado para dar início na investigação diagnóstica.

Diagnóstico

O início de uma investigação de tumores de cabeça e pescoço inicia-se com minuciosa anamnese (história clínica dos sinais e sintomas), seguida de um exame clínico de cabeça e do pescoço.

A confirmação diagnóstica vem com exames subsidiários:

  • Laringoscopia direta ou indireta;
  • Biópsia (por punção ou fragmento);
  • Ultra-sonografia com ou sem punção de nódulos pequenos de tireóide ou outros para confirmação diagnóstica;
  • Tomografia computadorizada de cabeça e pescoço;
  • Ressonância magnética (mais utilizada em base de crânio). Vem complementar a tomografia;
  • Rx do tórax, broncoscopia e endoscopia digestiva alta: investigação do pulmão e esôfago, já que aproximadamente 18-20% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço têm um segundo tumor primário em esôfago ou pulmão;
  • Além de outros exames que podem ser solicitados para elucidação do caso clínico.

Estadiamento

Para um planejamento eficaz do tratamento é fundamental um estadiamento preciso, onde é considerado o tamanho do tumor, as sub-regiões acometidas, os linfonodos (gânglios linfáticos) comprometidos e presença de doença à distância (metástase). A classificação utilizada é o TMN 6ª edição, 2003.

Tratamento

Tratamento é individualizado e baseado no estadiamento TNM. O tratamento curativo está baseado na ressecção cirúrgica do tumor. A radioterapia também tem poder curativo em lesões pequenas menores que 2cm. Mas na grande maioria dos casos a cirurgia vem acompanhada de radioterapia pós-operatória para consolidar o tratamento. A quimioterapia tem espaço para tratamento paliativo em tumores recidivados de cabeça e pescoço. Mas tem papel fundamental se o tipo de câncer for linfoma ou rabdomiossarcoma.

Podemos associar a quimioterapia com radioterapia para tratar alguns tumores de cabeça e pescoço para preservação do órgão, com respostas próximas ou semelhantes à cirurgia.

Formas de tratamento de tumores de cabeça e pescoço:

  1. Cirurgia
  2. Radioterapia
  3. Quimioterapia
  4. Iodoterapia
  5. Traqueostomia de emergência (orifício cirúrgico realizado na traquéia para a passagem do ar, devido à obstrução tumoral acima da traquéia).
  6. Outros (laser de dióxido de carbono)

No entanto existem várias modalidades de tratamento tanto cirúrgico como conservador. Temos sempre que individualizar o caso e adequar a melhor forma de tratamento com melhor ganho para o paciente.

A melhor forma de cura dos tumores de cabeça e pescoço é diagnóstico e o tratamento precoce.

Auto exame da boca

O que é o auto-exame da boca?

É uma técnica simples que a própria pessoa pode fazer, bastando que tenha um espelho e esteja num ambiente bem iluminado. A finalidade deste exame é identificar lesões precursoras do câncer de boca, uma doença curável se tratada no seu início.

Como fazer o auto-exame da boca?

Atenção: Lave bem a boca e remova próteses dentárias se for o caso.

  1. De frente para o espelho, observe a pele do rosto e do pescoço. Veja se encontra algum sinal que não tenha notado antes. Toque suavemente com as pontas dos dedos todo o rosto.
  2. Puxe com os dedos, o lábio inferior para baixo, expondo a sua parte interna (mucosa). Em seguida, apalpe todo o lábio. Puxe o lábio superior para cima e repita a palpação.
  3. Com a ponta do dedo indicador, afaste a bochecha para examinar a parte interna da mesma. Faça isso nos dois lados.
  4. Com a ponta do dedo indicador, percorra toda a gengiva superior e inferior.
  5. Introduza o dedo indicador por baixo da língua e o polegar da mesma mão por baixo do queixo e procure palpar todo o assoalho da boca.
  6. Incline a cabeça para trás e abrindo a boca o máximo possível, examine atentamente o céu da boca. Palpe com o dedo indicador todo o céu da boca. Em seguida diga ÁÁÁÁ... e observe o fundo da garganta.
  7. Ponha a língua para fora e observe a parte de cima. Repita a observação com a língua levantada até o céu da boca. Em seguida puxando a língua para esquerda, observe o lado esquerdo da mesma. Repita o procedimento para o lado direito.
  8. Estique a língua para fora, segurando-a com um pedaço de gaze ou pano, apalpe em toda a sua extensão com os dedos indicador e polegar da outra mão.
  9. Examine o pescoço. Compare os lados direito e esquerdo e veja se há diferenças entre eles. Depois, apalpe o lado esquerdo do pescoço com a mão direita. Repita o procedimento para o lado direito, palpando com a mão esquerda. Veja se existem caroços ou áreas endurecidas.
  10. Finalmente, introduza o polegar por debaixo da queixo e apalpe suavemente todo o seu contorno inferior.

O que procurar?

  • Mudanças na aparência dos lábios e da porção interna da boca;
  • Endurecimentos;
  • Caroços;
  • Feridas;
  • Sangramentos;
  • Inchações;
  • Áreas dormentes;
  • Dentes amolecidos ou quebrados.

Faça o auto-exame da boca mensalmente.

Se notar alguma anormalidade, procure imediatamente um dentista ou um médico.

Previna-se do câncer de boca reduzindo o fumo e o álcool e fazendo uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes.

Câncer de Pulmão

Nos órgãos que temos no tórax, o pulmão é o que mais tem alta incidência de câncer. Podem ocorrer tumores de outras partes do tórax como mediastino, esôfago e de parede torácica.

No mundo, o câncer de pulmão é o que acomete o maior número de pessoas na faixa etária de 50 a 78 anos. Na população masculina, o hábito de fumar continua sendo responsável pela maioria dos casos diagnosticados de câncer de pulmão (podendo chegar a mais de 90% em alguns países ou regiões). Nas mulheres, pode-se atribuir cerca de metade dos casos de câncer pulmonar ao tabagismo.

O fator de risco mais importante para o desenvolvimento do câncer de pulmão é o fumo. Este hábito é capaz de aumentar este risco de 20 a 30 vezes em tabagistas de longa data e em 30 a 50% nos fumantes passivos, não existindo nenhuma dose ou quantidade segura para o consumo. As taxas de incidência em um determinado país refletem seu consumo de cigarros.

No Brasil o câncer de pulmão ocupa o 2º lugar de incidência entre os homens e o 4º lugar de incidência entre as mulheres.

O câncer de pulmão é de diagnóstico precoce difícil devido à pouca sintomatologia no início da doença. E lembrando que quanto mais precoce ele for diagnosticado, maior é a resposta ao tratamento.

Cânceres de pulmão são divididos em dois grupos distintos

  • Tumores de não pequenas células (carcinoma epidermóide 30-35%, adenocarcinoma 25-30% e grandes células 10%);
  • Tumores de pequenas células.

Esta divisão existe devido ao prognóstico, evolução e tratamento distinto entre os dois. Os mais frequentes são os tumores de não pequenas células.

Sinais e sintomas

Infelizmente os sintomas, na grande maioria dos tumores do pulmão, aparecem com a doença um pouco mais avançada.

Os principais sintomas:

  • Tosse (cerca de 70% dos casos);
  • Falta de ar;
  • Escarro sanguinolento;
  • Pneumonia recorrente;
  • Dor torácica;
  • Perda de peso;
  • Fraqueza;
  • Rouquidão;
  • Outros distúrbios do metabolismo que podem vir a acontecer.

Diagnóstico

Geralmente o primeiro exame que sugere câncer de pulmão é o Rx do tórax. Em seguida, a melhor opção para investigar seria a tomografia computadorizada de tórax. Essa tomografia será avaliada pelo seu médico e se a suspeita de câncer for forte, o estadiamento e confirmação histológica deverão ser feitos através de outros exames como broncoscopia, mediastinoscopia, punção aspirativa trans-torácica e demais exames pré-operatórios, se assim for necessário.

Estadiamento

Esta avaliação médica é de extrema importância para o tratamento e posterior seguimento do paciente. Ele é que determinará a extensão da doença e a forma de tratamento que será instituído.

Tratamento

A escolha do tratamento do câncer de pulmão dependerá do estadiamento, ou seja, do tamanho do tumor, do comprometimento ou não dos nódulos linfáticos e do tipo de célula tumoral.

Tumores de não pequenas células

Em estádios mais precoces, o tratamento é basicamente cirúrgico, podendo ser seguido de quimioterapia e radioterapia.

Em estádios mais avançados, o tratamento baseia-se em quimioterapia e radioterapia.

Tumores de pequenas células

Este tipo de câncer é tratado com quimioterapia. Geralmente não é operável.

Situações emergenciais nos tumores de pulmão e seus tratamentos

  • Síndrome da Veia Cava Superior – entidade mórbida que deve ser conduzida com muita eficácia e rapidez devido à grande mortalidade. Nos cânceres de não pequenas células utiliza-se radioterapia de emergência. No de pequenas células utiliza-se geralmente a quimioterapia.
  • Síndrome paraneoplásica - síndrome que vem acompanhada de várias alterações do metabolismo da água, sódio e hormônios da glândula supra-renal. Estas alterações são tratadas clinicamente e depois desaparecem com o tratamento do tumor.
  • Derrame pleural volumoso – causado por extravasamento de líquido do tumor e do pulmão. Este líquido fica localizado entre o pulmão e parede do tórax. Deve ser drenado (retirado) e tratado para não coletar novamente.

Após a terapêutica, estes pacientes ficarão em acompanhamento para avaliar a resposta do tratamento e se ocorre o retorno do tumor. Nesse último caso, ele deve ser prontamente tratado.

As opções de tratamento devem ser conversadas com seu médico oncologista. Achando a melhor forma para cada paciente.

Câncer de Abdome, Pelve e Próstata

A cavidade abdominal e pelve possuem muitos órgãos o que torna esta região do corpo uma área de variados tipos de neoplasias. Dentre elas vamos citar as mais frequentes: esôfago abdominal, estômago, pâncreas, vias biliares, fígado, cólon, reto e canal anal.

Nota-se que os mais frequentes encontram-se no tubo digestório. Outros órgãos que frequentemente são alvos de tumores no homem são a próstata e bexiga. Na mulher, o colo de útero, reto, útero, ovários.

Tumores do tubo digestório mais frequentes:

  • Câncer do Aparelho Digestório
  • Câncer de Próstata

Câncer do Aparelho Digestório

Os sintomas mais frequentes são:

  • Perda de peso e apatia;
  • Dificuldade de digestão, intestino preso;
  • Dificuldade de engolir;
  • Vômitos com ou sem sangue;
  • Sangramento pelas fezes;
  • Dificuldade de evacuar;
  • Dor abdominal;
  • Tumoração no abdome.

Diagnóstico

Geralmente o paciente se queixa de algum sintoma, faz algum tipo de exame e então se diagnostica o câncer.

Tipos mais comuns de exames para detectar tumor intestinal:

  • Endoscopia digestiva alta ou baixa;
  • Ultra-som;
  • Raio-X contrastado;
  • Tomografia computadorizada;
  • Laparoscopia;
  • Biopsia por endoscopia ou percutânea;
  • Exames de sangue (hemograma, CEA, Ca 19.9, Ca 72.4).

Fatores de Proteção e de Risco para Câncer de Estômago

Protetores: fibras, vegetais, frutas, vitamina C e conservação correta dos alimentos.

Fatores de risco: alcoolismo, tabagismo, pólipos gástricos, obesidade, tipo sangüíneo A. Doenças como esôfago de Barret, polipose adenomatosa familiar, gastrite crônica atrófica, doença de Menétrier.

Fatores de Risco para Câncer de Intestino Grosso (Cólon)

  1. Fatores dietéticos e ambientais: estão relacionados a 90% das causas dos adenocarcinomas colônicos.
    • Dieta rica em carne, gorduras e pobre em fibras;
    • Obesidade;
    • Álcool e Tabaco;
    • Fatores ocupacionais - trabalhadores de fábricas de vidro e formaldeído;
    • Pouca atividade física.
  2. Fatores Hereditários: correspondem a 5-10% dos adenocarcinomas colônicos.
  3. Doença inflamatória intestinal
  4. Pólipos colônicos

Pessoas com fatores de risco devem sempre procurar orientação e acompanhamento médico especializado para realizar alguns exames de rotina.

Tratamento

O tratamento geralmente é cirúrgico associado ou não a quimioterapia ou radioterapia.

A forma de tratamento vai depender do tipo, localização e tamanho do tumor do aparelho digestório.

Em tumores que não podemos operar devido ao tamanho e comprometimento de outros órgãos, pode-se associar quimioterapia e radioterapia e depois operar.

A realização de quimioterapia e radioterapia após a cirurgia também vai depender do tipo de tumor, localização e estudo dos nódulos linfáticos (gânglios).

A Colostomia

A colostomia é o medo de muitos pacientes em tratar tumores abdominais e por isso protelam o tratamento até o tumor ficar avançado e então vão precisar mais ainda deste tipo de derivação intestinal externa.

Vamos para explicação

Colostomia e ileostomia são derivações intestinais externas. A colostomia (exteriorização do colon) é realizado em cirurgias do intestino grosso, reto e ânus. A ileostomia (exteriorização do íleo) em cirurgias do intestino delgado e também do intestino grosso (cólon).

Estas derivações são realizadas somente caso necessário como:

  • Risco de aumentado de complicação;
  • Paciente que não suportaria cirurgia extensa;
  • Agilizar o tratamento quimioterápico e radioterápico após cirurgia;
  • Amputação do ânus (esta é definitiva);
  • Complicação pós operatória, como fístulas.

Após ter realizado o tratamento completo e passado os riscos de complicação, realiza-se a reconstrução novamente do trânsito intestinal. Menos nos casos de amputação do reto.

Câncer de Próstata

O número de casos novos de câncer de próstata estimados para o Brasil em um ano é de 47.280. Estes valores correspondem a um risco estimado de 51 casos novos a cada 100 mil homens.

O câncer de próstata é o mais frequente em todas as regiões entre o total de tumores, exceto o câncer de pele não melanoma.

Mortalidade

A mortalidade por câncer de próstata é relativamente baixa, o que reflete, em parte, seu bom prognóstico. A média mundial de sobrevida em 5 anos é de 58%. Em estágios iniciais chega a 98% de sobrevida em 5 anos. No caso de tumor metastático, a sobrevida chega à 30% em 5 anos.

Fatores de Risco

A idade avançada é o principal (acima dos 75 anos). Alguns estudos sugerem que dieta rica em gorduras e carne vermelha aumentaria o risco de desenvolver o câncer de próstata, enquanto a ingestão de frutas e vegetais e exercício físico regular ofereceriam alguma proteção.

Sintomas

Jato urinário fraco ou interrompido durante a micção, necessidade de se fazer força para urinar, micção de difícil controle (urgência), necessidade de urinar frequentemente, inclusive de madrugada e dor pélvica são os principais achados encontrados.

Diagnóstico

Todo homem com mais de 50 anos deveria fazer um exame de toque retal, em um médico especializado (urologista, preferencialmente), todo ano. Dosagem de PSA (prostate-specific antigen) no sangue também pode sinalizar anormalidades num estágio inicial.

Tratamento

Nos estágios iniciais, pode ser feita remoção total da próstata ou radioterapia como alternativa. Na doença metastática, pode-se fazer tratamento hormonal com drogas (anti-andrógenos, Agonista GnRH) ou orquiectomia (retirada dos testículos), tendo ambos eficácia e efeitos colaterais semelhantes.

Nos casos refratários à hormonioterapia, há tratamentos para diminuição dos sintomas, como radioterapia em metástases ósseas dolorosas (principalmente em coluna lombar) ou quimioterapia.

Câncer de Mama

A Radioterapia é uma abordagem altamente eficaz no tratamento do câncer, visando especificamente as células doentes. Nossa equipe especializada utiliza tecnologia avançada para fornecer tratamento direcionado e minimizar o impacto nos tecidos saudáveis.

Na Radioterapia, nosso compromisso é com a precisão e a segurança do paciente. Buscamos reduzir o impacto da terapia no seu dia a dia, garantindo que você receba o tratamento mais eficaz e personalizado possível. Sua recuperação é nossa prioridade.

Câncer Ginecológico

É uma doença grave, podendo ser detectada nos seus estágios iniciais, através da adoção de programas de rastreamento colpocitológico oncótico (o exame preventivo). Contudo, no nosso meio, em função da ausência destes programas com cobertura e qualidade adequada, há ainda um predomínio das formas avançadas da doença.

Câncer de Colo de Útero

Incidência

A incidência por câncer de colo de útero se torna evidente na faixa etária de 20 a 29 anos e o risco aumenta rapidamente até atingir seu pico, geralmente na faixa etária de 45 a 49 anos. Sofre um declínio acentuado após os 60 anos.

O número de casos novos de câncer de colo do útero esperados para o Brasil é de 19 casos a cada 100 mil mulheres. Ocupa o segundo lugar em incidência nas mulheres.

Causas do Câncer de Colo de Útero

O principal agente causal deste câncer é o vírus do papiloma humano, transmitido sexualmente, sendo mais prevalente em mulheres com iniciação sexual precoce, e com múltiplos parceiros. Outros fatores são o tabagismo e o uso de anticoncepcionais orais.

É estimado que uma redução de cerca de 80% da mortalidade por este câncer pode ser alcançada através do rastreamento de mulheres na faixa etária de 25 a 65 anos com o teste de Papanicolau (preventivo) no qual se detectam lesões precursoras com alto potencial de malignidade ou carcinoma “in situ”.

Para tanto, é necessário submeter ao rastreamento as mulheres com até 49 anos, apenas uma vez a cada três anos e a cada cinco anos para mulheres entre 50 e 65, além de garantir a organização, integralidade e a qualidade do programa de rastreio.

Sintomas

• Pode ser assintomático, mas nos estágios iniciais nota-se apenas um leve corrimento vaginal com ou sem sangramento;

• O sintoma mais comum é sangramento fora do período menstrual;

• Dor durante relação sexual com sangramento;

• Infecção vaginal que não cura, deve ser melhor examinada;

• Em graus mais avançados, manifesta-se a intensa dor pélvica.

Diagnóstico

Após suspeita, o exame ginecológico deve ser realizado:

• Coletado o papanicolau;

• Biópsia direta ou por colposcopia da lesão;

Conização do colo nas seguintes situações:

• Lesão cancerosa precoces do colo de útero;

• Achados divergentes entre colposcopia e papanicolau;

• Anormalidades achadas no papanicolau e não visíveis na colposcopia.

Quando existe possibilidade de extensão maior da doença para interior do canal cervical, a curetagem endocervical é feita.

Estadiamento

A disseminação do câncer de colo de útero pode ocorrer para parede vaginal, útero e lateralmente ao útero (paramétrios). Podendo então invadir vagina, bexiga, ureteres, reto, linfonodos regionais e para-aórtico.

O sistema utilizado para estadiamento é o TMN juntamente com a classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO)

Exames utilizados para estadiamento

• Rx de tórax

• Ultra-som de abdome

• Em alguns casos utiliza-se a tomografia computadorizada para avaliar a disseminação pélvica

• Mas na grande maioria é possível realizar o estadiamento através do exame ginecológico.

Tratamento

Lesões pré-malignas e carcinoma in situ são tratadas com terapia local (cauterização, conização) ou histerectomia quando indicado.

Câncer invasivo: a escolha do tratamento depende da extensão da doença. Nos estágios precoces a escolha é pelo tratamento cirúrgico radical.

A radioterapia e quimioterapia têm seus espaços no tratamento de câncer de colo de útero. Podem ser realizados previamente ou após o tratamento cirúrgico ou isoladas.

Em resumo: o câncer de colo de útero depende muito do diagnóstico precoce, que pode ser conseguido pelo exame papanicolau nas mulheres. O melhor seria realizar o exame anualmente em mulheres sexualmente ativas.

Câncer em Partes Moles e Ósseo

Sarcomas são tumores originados de tecidos como músculos, tecido adiposo (gordura), cartilaginoso, ósseo e tecidos de fazem a união de outros tecidos.

Incidência

Possui baixa incidência, em torno de 1% de todas neoplasias dos adultos. Porém, essa proporção aumenta para quase 10% em crianças menores de 15 anos.

Esses tumores representam um grupo heterogênio de neoplasias com etiologia provavelmente diversa sendo pouco conhecida.

Fatores de Risco

Dentre os diversos fatores de risco estudados, tem-se dado muita ênfase aos fatores ambientais ou ocupacionais. A dificuldade de se quantificar papel que a exposição a cada um dos agentes tem é a principal crítica dos trabalhos.

A maior incidência em crianças sugere a possibilidade de fatores de risco genéticos.

- Fibromatose;

- Síndrome de Gardner;

- Tabagismo;

- Uso de antibiótico cloranfenicol;

- Radioterapia para câncer de mama e após Síndrome de Stewart-Treves;

- Antecedentes familiares com câncer, ocupação, Rx e outras doenças.

No entanto, não se encontrou nenhum fator estatisticamente significante.

Os locais mais acometido

- Membros inferiores: 50%

- Membros superiores: 13%

- Tronco: 33%.

Os tipos mais comuns de sarcomas de partes moles:

- Leiomiossarcoma

- Liposarcoma

- Fibrossarcoma

- Rabdomiossarcoma

Porém, na infância, 2/3 são rabdomiossarcoma.

Os principais tumores ósseos são:

- Osteossarcoma

- Condrossarcoma e sarcoma de Ewing

Sobrevida

A sobrevida global dos pacientes com sarcomas de tecido conjuntivo e de partes moles é de 50% após 5 anos do diagnóstico. Os tumores de extremidades têm um prognóstico melhor.

Diagnóstico

- Raio-X Cintilografia: permite definir e complementar o raio-X

- CT: é complementar para se obter avaliação detalhada.É usada para locais de difícil avaliação, permite avaliar invasão de partes moles, componentes vizinhos, definição da gordura peri-tumoral.

- RNM: avalia a extensão, infiltração medular do osso, partes moles, invasão neuro-vascular em cortes axiais e se complementa com a angiografia. Com diferentes resoluções permite avaliar tecidos vizinhos. Permite também acompanhar o pós-tratamento.

- USG: para biópsia guiada e para definir massa tumoral de partes moles.

- Biópsias: Tru-cut (agulha grossa) d, guiada por ultra-som e ou tomografia computadorizada, apresenta uma eficiência de 98% em diagnóstico de malignidade e 94% para sarcomas. Em sarcomas de cavidade abdominal ou retroperitôneo, biópsia por aspiração não faz parte da rotina, somente se há forte suspeita de linfoma. Nesses casos, já se procede imediatamente para tratamento cirúrgico.

- Biópsia incisional: retira-se um pequeno fragmento para fazer diagnóstico.

- Estadiamento: Consiste na mensuração da doença Para tal, utiliza-se o sistema internacional TMN e Gradação tumoral G1 a G4. Permite planejar o tratamento e predizer qual será a evolução do paciente.

Tratamento

- Curativo: Tratamento é cirúrgico e radical: ressecção do tumor com margem de segurança e livre. Nos sarcomas, a primeira cirurgia é determinante pois, se realizada por profissionais inexperientes, a chance do tumor retornar (a dita recidiva) é muito grande e a cada nova cirurgia a taxa de recidiva aumenta pela dificuldade de retirar todo o tumor.

- Radioterapia (braquiterapia ou teleterapia): tem seu lugar conforme o tamanho do tumor e gradação tumoral.Pode ser feita no intra ou no pós-operatórios.

- Paliativo: Retirada do tumor, mas não de uma maneira total devido a comprometimento de órgãos vitais ou por já possuírem metástases.

Este tratamento cirúrgico chama-se citorredução e pode ser acompanhado por quimioterapia.

A radioterapia e quimioterapia isoladas podem ser instituídas em caso do paciente não ter condições de tratamento cirúrgico.

Fatores que mudam prognóstico

- Grau histológico

- Profundidade

- Admissão do paciente (precocidade no diagnóstico e instituição da terapêutica)

No entanto, quanto menor for o tumor, mais rapidamente tratado (de preferência por oncologistas) melhor o prognóstico do paciente.